Arquivado em: Uncategorized | Tags: 2008, globalização, islam, olimpiadas, palestina, pequim, tibete, tocha
A comunidade internacional esteve unida nas últimas semanas em nome da “independência do Tibete”, sabotando o desfile da tocha das Olimpíadas de Pequim, 2008. Ironicamente, poucos gritam pela independência da Chechênia, por exemplo, e menos ainda pela Palestina. Certamente o povo tibetano tem direito à independência, ou pelo menos autonomia, assim como qualquer outra minoria oprimida. Mas a união pró-Tibete apresentada recentemente reflete um exercício de hipocrisia da parte do Ocidente.
Não é por coincidência que a atual onda de protestos no Ocidente, que nasceram como uma expansão dos protestos no próprio Tibete, tenham acontecido às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim. Tratou-se de uma oportunidade de trazer às câmeras mundiais a questão tibetana, e funcionou. Mas tudo só se tornou possível pela manipulação estadunidense. Claramente, a CIA participou ativamente na organização dos protestos, e a mídia corporativa estadunidense liderou essa campanha internacional. Por mais atraente que tudo pareça ser, o Tibete é apenas um fantoche dos interesses políticos estadunidenses.
A hipocrisia da mídia ocidental é perturbante. São milhares de artigos, editoriais e opiniões que demonizam a China e iluminam a pureza de Dalai Lama, sem medir esforços para passar a ideologia adiante. Até faz parecer que o Tibete é o único povo sem o direito de independência, oprimido por uma força brutal que, caso desaparecesse, tudo estaria resolvido. Por que é que a mídia ocidental decide adotar uma luta por independência e ignora cinicamente outras? Será se o sangue de um tibetano vale mais que o de africano no Congo do Leste, ou de milhões de palestinos expulsos de suas próprias terras para a manutenção do “lar nacional judaico”?
Nessa competição pela simpatia do Ocidente, os palestinos enfrentam um sério obstáculo – os seus opressores carregam a coroa da vítima, e nunca se esquecem de exibi-la. A maioria ainda apóia os israelenses, devido ao peso dos crimes europeus contra o povo judaico no passado. Isso dá origem a uma situação única, em que o poder opressor é mais popular do que a vítima. Não é à toa, portanto, que qualquer um que se simpatize com a causa palestina seja automaticamente classificado como “anti-semita” ou, como se tornou mais comum após a “Nova Cruzada” de George W. Bush, “terrorista” ou “extremista”. Como a maioria dos palestinos são muçulmanos, e a ideologia dominante atual de islamofobia é predominante no Ocidente, a causa palestina se tornou automaticamente parte do mito ameaçador do “terrorismo internacional”.
Portanto, a mídia ocidental movimentou massas de pessoas derramando lágrimas pelos tibetanos, que tiveram suas terras invadidas por colonos chineses. Mas quem se preocupa com os palestinos, que tiveram suas terras ilegalmente confiscadas por Israel? É irônico que os líderes israelenses, quando se pronunciam sobre o Tibete, se comparam aos pobres tibetanos, e não com o estado chinês. Infelizmente, para muitos, isso ainda é lógico.
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